Dicas Importantes...


                             Princípio Básico : "respirar embaixo", o que significa que a inspiração deve ser feita dilatando-se o abdômen, seja deixando a barriga ir para para frente  e para baixo, como também  dilatando-se o abdômen pelas laterais,  logo abaixo das costelas (respiração intercostal = “Apoio Vocal”).

       Nessa forma de respiração fisiológicamente comprovada pelo professor e maestro Emílio Baldino, ocorre um bloqueio tanto dos músculos abdominais quanto glóticos, resultando em apoio na emissão da voz, amplitude, liberdade de agudos e relaxamento do timbre na emissão das notas médias e graves;

       1) Inspire e jamais puxe o abdômen para dentro durante a emissão da voz, este processo inconsciente, deixa os músculos abdominais tensos e acaba por  estrangular a coluna de ar, dificultando a emissão livre da voz;

       2) O cantor jamais "condiciona / doutrina" o Diafragma, ele apenas exercita e extende os músculos abdominais, deixando-os mais flexíveis, fortes e ágeis para a entrada ampla do ar;

       3) Jamais se esqueça de respirar: alguns cantores acham "lindo" cantar enormes frases sem respirar, e porque ouviram em algumas gravações alguma celebridade do canto fazê-la se acham na obrigação de repetir o feito. É muito mais importante cantar transmitindo o que o autor quis dizer, Concentrando-se no tema, e não na virtuose;

       4) Quando inspirar, busque uma quantidade de ar bastante satisfatória. Antes pecar pelo excesso que ficar num final de frase sem ar e cortar "legattos" no meio. Procure escutar a respiração de alguns grandes cantores.

       5) Por menor que seja a frase musical a ser cantada, devemos sempre ter em mente o seguinte critério: “ar sempre sobrando e NUNCA faltando ou quase na medida exata !” Uma vez que faltou ar, ocorrerá alguma forma de tensão muscular e abdominal, e, conseqüentemente um cansaço desnecessário ocasionado pela insuficiência respiratória;

       6) Alguns cantores, principalmente quando em aprendizado, tendem a enrijecer a barriga devido à perspectiva de um agudo, e não conseguem se suprir de ar satisfatoriamente durante a inspiração, fazendo com que no final de uma ária já não estejam agüentando mais cantar. Para isso, aí vai um recado muito importante: " quando for inspirar, o faça como se estivesse para mergulhar numa piscina e nadar debaixo d'água até o outro lado".

       7) Procure cantar como você fala, porém com técnica, com sua voz natural. Jamais tente escurecer ou imitar algum(a) cantor(a) famoso(a), pois cada um tem seu próprio timbre;

       8) Imagine que na fala aparentemente não existe nenhuma tensão dos músculos faciais, do pescoço e nenhuma força para emitirmos qualquer frase. Deve acontecer a mesma coisa no momento em que cantamos, pois não devemos demonstrar qualquer esforço físico ou vocal. 

       9) O que deve ocorrer é apenas a utilização consciente de técnicas de respiração, impostação e principalmente muita dicção com intensão, e não TENSÃO, quase mastigando as palavras, para que o timbre vocal flua livremente no momento em que cantamos.  

       10) Se você acha que tem a voz feia, e por isso imita outros cantores, procure ouvir sua voz gravada. Procure saber como ela é ouvindo-a do lado de fora, diferente de como a ouvimos todos os dias, por dentro da cabeça. Tente explorar as vibrações bonitas de seu timbre. Se você continua achando ela feia, tenha certeza que ela ficará mais feia ainda quando começar a imitar outra voz. Alguns cantores não possuíam o timbre tão agradável, mas todos se acostumaram a eles, e vibravam com a originalidade de suas interpretações. É o caso de Maria Callas, Gino Becchi, Toti dal Monte, entre outros.

       11) Jamais estude uma peça musical se baseando em gravações. Você não estará interpretando o personagem, e sim imitando a interpretação de outro cantor. Dessa forma não se consegue passar à platéia o que o autor quis dizer. Seja autêntico, saiba o que está cantando, tenha um estilo próprio e assim viva o seu personagem. Procure estudar a peça traduzindo-a para seu próprio entendimento, buscando o que o autor quis dizer, e qual é a intenção musical de cada frase. Sua voz terá vibrações que são anteriores às sonoras: são as emoções e sentimentos, que vêm da alma, e fazem a platéia entender a peça e entender que você é um grande artista;

       12) Não cante com a cabeça e maxilar abaixado ou inclinada para frente. Quando ela está vertical (na altura dos olhos), o pescoço está mais relaxado e a voz encontra mais facilidade para sair, sem espremer. Isto também é importante na postura do cantor.

       13) Não tente CRIAR o som dentro da boca. Ele já foi emitido pelas cordas vocais. Ele deve encontrar na boca apenas uma ressonância adequada para a formação das sílabas. Não confunda qual parte faz qual tarefa. "Coloque as palavras nos lábios e cante.”

       14) Não tente cantar trechos que você consegue cantar às vezes, e às vezes não. Isso significa que você não adquiriu técnica ainda para cantar tal peça ou sua voz não é adequada à ela. Se for a primeira opção, melhore primeiro sua técnica, para evitar que você acumule vícios em tais peças. Se for a segunda, não insista. O público é cruel com os que não tem consciência musical e vocal e muito menos bom senso;

       15) As cordas vocais vibram entre duas "cavidades" que possuem alta ressonância: a cabeça e o tórax. Em todas as notas da escala que você consegue cantar, JAMAIS abandone qualquer uma das duas. Obviamente que os sons graves encontram melhor ressonância no peito e os agudos na cabeça. Portanto quando "subimos" ou "descemos", perdemos um pouco de uma ressonância para ganharmos na outra. O uso adequado desse sistema é a chave do equilíbrio no canto. Eliminar uma das duas é empobrecer a qualidade do canto;

       16) O nosso timbre é único, é a nossa “impressão vocal e característica pessoal” do órgão fonador. O timbre pode ser semelhante, mas nunca igual. Podem ocorrer impressões momentâneas de cor de voz, apresentando um timbre parecido. O timbre identifica e qualifica o tipo de registro vocal, mostrando muitas vezes as dificuldades e facilidades de nossa emissão de voz. 


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